sábado, 26 de janeiro de 2019

Memórias da II Guerra Mundial, By Winston Churchill

"Devo admitir que os meu pensamentos incidem principalmente na Europa - o revivalismo da glória da Europa, o continente que deu à luz as nações e a civilização modernas. Seria um desastre incomensurável se o barbarismo russo se impusesse à cultura e independência dos antigos Estados da Europa. Conquanto seja difícil dizê-lo agora, confio que a família europeia venha a atuar em uníssono através de um Conselho da Europa. Espero com antecipado prazer a criação de uns Estados Unidos da Europa, onde as barreiras entre as nações estejam reduzidas ao mínimo e onde haja livre circulação de pessoas e bens. Espero chegar a ver a economia da Europa estudada como um todo. Tenho esperanças de que seja formado um Conselho, constituído talvez por dez unidades, incluindo as antigas grandes potências, com várias confederações (escandinava, danúbia, balcânica, etc.) que possua uma polícia internacional e com poder para manter a Prússia desarmada. É claro que teremos de trabalhar de muitos e diversos modos com os Americanos, mas a Europa é a nossa principal preocupação e certamente não queremos estar fechados num canto com os Russos e os Chineses, quando os Suecos, os Noruegueses, os Dinamarqueses, os Holandeses, os Belgas, os Franceses, os Espanhóis, os Polacos, os Checoslovacos e os Turcos apresentarem as suas questões escaldantes, o desejo do nosso auxílio e o grande poder que têm para se fazer ouvir. Seria fácil alargar-me sobre estes temas. Infelizmente, a guerra tem lugar prioritário na sua e na minha atenção."

Winston Churchill in "Memórias da II Guerra Mundial" 


Ena! Ena! Tantos bruxos e bruxas por aí, a adivinhar o que o Santo Churchill diria sobre o Bexit, se fosse vivo. E aposto que era neste excerto que estavam a pensar, não era? Pois, mas não tem nada a ver... Como aqui podem ler do que se fala é de uns "Estados Unidos da Europa": uma federação de estados independentes com livre circulação de bens e pessoas. Mesmo dos serviços ele não fala. Será que se esqueceu?! Ou será que a "livre circulação de serviços" foi uma péssima ideia? Sobretudo se tivermos em consideração as restrições que existem à livre circulação das polícias e tribunais?
Já começo a perder a conta ao número de crises que tivemos, à custa dos serviços circularem livremente por aí. Por muito que custe aos eurófilos de serviço, vão ter de reconhecer, que na Europa, hoje em dia, isto é mais livre circulação de dinheiro, corrupção e crime organizado… Acham mesmo que o Churchill era a favor desta merda?! Esta União Sovié... Europeia dominada por uma espécie de império franco-alemão?!!

Soltando também a bruxa que vive dentro de mim, acho que se o Churchill fosse vivo e ouvisse algumas das coisas que tenho ouvido, faria um aceno triste de reprovação e depois apagava-vos com o charuto no meio da testa. E enfiava-vos os dois dedos do V de vitória nos olhos. E era muito bem feito. Eu aplaudia. 

E não. Ainda não acabei o livro. Acham que a minha vida é ler livros?! Até é, mas não destes :(         

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Memórias da II Guerra Mundial, By Winston Churchill

"O Primeiro-Ministro espera que todos os súbditos de sua Majestade em cargos importantes deem o exemplo de perseverança e resolução. Devem impedir e refutar todas as opiniões pouco exactas e mal informadas que possam  ser expressas nos círculos que frequentam ou entre os seus subordinados. Não deverão hesitar em denunciar ou, se necessário, remover da sua presença quaisquer pessoas, oficiais ou funcionários que estejam a exercer conscientemente uma influência perturbadora ou deprimente ou aqueles cuja conversa é programada para espalhar o alarme e o desânimo. Só assim honrarão os combatentes que, no ar, no mar e em terra, já confrontaram o inimigo sem darem qualquer indício de poderem ser superados nas suas qualidades marciais."
(O sublinhado é meu)

Ainda não terminei de ler o livro e já é a minha passagem favorita, nestas memórias do Churchill da II Guerra Mundial. Quem fala assim, só podia ter a palavra "Win" inscrita no nome. E gostei tanto, que passei a adotar esta postura na minha vida… 
É que não se ganham guerras com gentinha desta a olhar por cima do ombro. P*** Que Os Pariu!    

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

HERÓIS CONTRA O TERROR, BY NUNO TIAGO PINTO

"Os jihadistas estavam todos mortos ou tinham fugido. A maioria da aldeia continuava intacta, apenas com buracos de bala ou crateras de alguns morteiros. Quando encontraram a equipa que tinha entrado na aldeia, ficaram a saber de algumas coisas que tinham acontecido. «O Bobby contou-nos que acabou por ser mais fácil do que esperava, porque os terroristas estavam sempre a gritar Allahu Akbar e acabavam por denunciar a sua posição. Eles só tiveram que ir por trás e lançar granadas para dentro das casas, que eles morriam todos», recorda Mário Nunes."

Nesta parte fui obrigada a parar de ler o livro aí durante uma boa meia-hora, só para me rir à vontade e com vontade. Esta e aquela parte de os terroristas do isis/ei/daesh/quegrandemerda! fugirem de medo, quando vêem os exércitos de curdos aproximarem-se, liderados por mulheres. Parece que o pior pesadelo de um jihadista é ser morto em combate por uma senhora. Não percebi muito bem... mas dizem, que segundo o profeta maomé, se uma coisa destas acontece a um jihadista, será sodomizado no paraíso por 40 cartoonistas do Charlie Hebdo. Fiquei chocada! Nunca pensei que estas coisas acontecessem no paraíso.

Agora a sério, o livro é muito bom e apesar destas duas palermices que contei, é um trabalho jornalístico sério e muito interessante. Coisa rara estas duas coisas juntas nos nossos dias. Mais, a luta contra os gajos do isis/daesh/ei/quegrandemerda! é uma luta difícil e está a ser muito mal apoiada. Há quase 20 anos que estes gajos andam por aí, a conspirar activamente contra o fim da civilização ocidental e toda a gente os trata como se fossem estúpidos. E são estúpidos de facto, mas são estúpidos muito melhor armados, muito melhor organizados e muito mais focados. Vistas as coisas por este prisma, parece mais que somos nós os estúpidos.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

LAGO SEM NOME, By Diane Wei Liang


A autora conta a história de uma jovem universitária, ela própria, apanhada no vendaval, que foi «o movimento para a democracia na China», em 1989. O livro é um guia turístico pela revolução cultural chinesa e o maoísmo, orientado pelas palavras de uma criança, adolescente e jovem chinesa. Aliás este é o grande mérito do livro, ser contado na primeira pessoa com tudo que de parcial e genuíno isso tem.
Wei nasce em 1966 no ano da revolução cultural que duraria 10 anos, o suficiente para arruinar a sua infância. Em 77 e após a morte de Mao, Deng Xiao Ping sobe ao poder, reata relações com os Estados Unidos e abre a China ao mercado global, para gáudio de todos os que queriam deixar os campos e voltar às suas cidades e profissões, como Wei e a sua família.
Em 89, no ano da primavera escaldante chinesa, o que preocupava a China era o Top Gun e o buzz do momento, o desastre de Chernobyl na Ucrânia. Os estudantes comparavam a desilusão amorosa em guerra e paz, com a de Anna Karenina, envolvendo-se em debates sobre qual a mais profunda. Tolstoi estava na moda e os chineses do séc. XX pareciam identificar-se com a Rússia do séc. XIX. Wei a personagem principal, preferia Dickens, Victor Hugo ou Dostóievsky.
O seu primeiro namorado, aos 20 anos, era um entusiasta do mercado asiático, como Singapura e Taiwan, adepto da política lançada por Deng Xiaoping, economia aberta e bico fechado. Por outro lado ouvia-se música tão variada como os Carpenters, Lionel Richie ou Wham e ao mesmo tempo, Schenzhen tornava-se a primeira zona económica da China. Agora parece claro, que toda esta repentina turbulência haveria de acabar em massacre!
Os primeiros gritos de liberdade na China tomaram forma com a visita de Mikhail Gorbachev, usavam-se fitas com palavras revolucionárias como as do americano Patrick Henry, “dá-me a liberdade ou dá-me a morte!”. O que o partido comunista chinês não sabia é que os estudantes estavam em crescendo. A revolução cultural estudantil estava apenas a começar e o partido comunista chinês cortou-a pela raiz em Tiananmen, na primavera de 1989. Ainda hoje os números não são conhecidos e a china continua a dividir-se entre os que acreditam que morreram meia dúzia de estudantes nos confrontos e os outros, que como Wei, viram milhares ser abatidos a tiro. O partido comunista sabia que a solidariedade e tolerância com os estudantes pagava-se cara e não esteve com meias medidas.
E como depois da tempestade vem a limpeza (e só depois a bonança), outros tantos milhares de estudantes eram perseguidos, acusados e executados. Os que conseguiam escapar rumavam à América com a ajuda de bolsas do governo Bush e mesmo os que não tinham porque escapar, como Wei, tentavam a sua sorte na corrida pelo sonho americano.
Wei consegue a sua bolsa de estudo americana e cedo começa os preparativos da sua “grande marcha”. Não queria ter de continuar a comprar sacos de arroz no mercado negro para conseguir ler “O amante de lady Chatterley” ou o livro de poemas de Guo Maurou, (um dos grandes escritores do movimento 4 de Maio de 1919), o livro que Wei queria levar para a América.
O que é que essa bonita palavra quer dizer:
Cerce - “cortava cerce” - pela raiz; rente.
Um pequeno apanhado das cábulas histórico-culturais:
Weiming - O lago afinal tem nome e é este o nome dele.
Miao - Minoria chinesa, (de entre 55 que tem a China?!), com língua e cultura próprias. Predominam no sul da China em províncias como Hunan, Sichuan, Hainan ou Ubei, por exemplo.
Cantonês - É o terceiro dialecto mais falado na China. Ouve-se sobretudo no sul da china e nas regiões de Hong Kong e Macau. Melhor só o mandarim e o wu.
Mandarim - É a língua oficial da China e uma de entre as 4 oficiais de Singapura.

“O amante de lady Chatterley” - É uma espécie de romance erótico de D.H. Lawrence. Escrito em 1928, o livro foi impresso em Florença e só em 1960 começou a desabrochar do tabu criado à sua volta.
Acontecimentos históricos que marcaram a china e estão gravados na base do monumento aos heróis do povo na praça de Tianamen, (ufa!):
As guerras do ópio - Foram duas. A primeira contra o Reino Unido, começou em 1839 e durou três anos. A segunda, também contra o Reino Unido, de 1956 até 1960, mas mais à séria para não haver dúvidas como na primeira. O Reino Unido ganhou e de gorjeta ainda levou Hong Kong e Singapura. Tudo por causa de quê?, do ópio e da sua livre comercialização na Ásia, (nada como uma guerra com valores, einh?!). Daqui à ascensão dos Boxers foi um pulinho, em 1912. a dinastia Quing vinha abaixo!

A ascensão dos Boxer - Não, a China não foi liderada por esses dóceis animais mas, o nome de sua raça, é também, o nome de uma das dinastias que tomou o poder na China, mais propriamente da dinastia Quing, que acusavam de ser imperialista e subjugada ao ocidente. Começaram a subir no ano de 1900, em que invadiram Beijing e mataram 230 estrangeiros (sobretudo ingleses, que de estrangeirada, pouco mais lá havia…).
O Movimento 4 de Maio - A primeira mostra do que são capazes os estudantes chineses na Primavera, deu-se, em 1919. Os estudantes uniram-se e protestaram juntos contra a posição chinesa no Tratado de Versailles. Tudo por causa de Shandong. Primeiro o domínio alemão e com Versailles, o desejo japonês, (teria petróleo esta província da China?!).

Invasão anti japonesa e a guerra civil, (ou como chegar ao comunismo em apenas 12 anos) - O primeiro ingrediente é a invasão da China pelo Japão. Em 1930’s, o Japão teve um sonho, que começou na China e não se sabe bem onde ia parar. Chiang Kai Chek, um nacionalista ferrenho, liderava a China ensombrado pela oprimida oposição comunista. Ora, cabendo-lhe a tarefa de proteger a China, of becoming a big Japan, tomou a ajuda comunista e durante 8 anos combateram juntos os inimigos japoneses. Em 1945, (com a ajuda dos aliados), comunistas e nacionalistas expulsam definitivamente os japoneses e assumem, finalmente, a guerra civil que os unia. Nacionalistas apoiados pela América, comunistas amparados pela Rússia, uma das grandes batalhas da guerra fria oriental. Neste caso, em 1949, a China era comunista!
Vamos desabrochar 100 flores - Assim começam todas as ideologias revolucionárias. A liberdade de expressão é o mote e Mao Tse Tung quer que na China desabrochem 100 ideias, 100 sonhos, 100 pensamentos! Tudo muito bonito mas … quanto começam a surgir centenas de ideias que afrontam o teu poder, se calhar é melhor apostar na agricultura. Mentes mais perversas insinuam que este movimento lançado por Mao, foi apenas uma estratégia de pôr a descoberto os opositores do regime, para, posteriormente, os neutralizar sem piedade, (eu sou mais rosseauniana …).

O ano da revolução cultural - A revolução cultural de 1966, esse bonito provérbio chinês que dizia, não deixes os teus inimigos descansados em momentos de reflexão, se os podes pôr a trabalhar o campo, (sendo que inimigos é uma força de expressão). Mao Tse Tung não era um mero idealista cego, era um poeta também e as suas reformas tinham todas nomes tão bonitos como, “desabrochar de 100 flores “, “grande salto adiante “, (“p’ra frente é que é o caminho”). O livro vermelho ditava o método das reformas e só em 1976, com a morte do poeta, era chegado o momento de parar para pensar.

4 de Abril de 1989, O massacre na praça de Tianamen - Os estudantes começaram a crescer para o governo chinês em Abril de 1989. Uma homenagem pela morte de Hu Yaobang e a queda da grande muralha de Berlim, faziam crer que tudo ia mudar na China. E mudou mas para pior. Após a Primavera escaldante de 89, depois do massacre dos estudantes, das execuções e prisões domiciliárias, houve de tudo na China, menos democracia.